Imagem capa - Sobre Memórias por Manu Rigoni
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Sobre Memórias

Estou no voo e com tempo para escrever haha, ou seja: lá vem textão. Venho pensando muito sobre a fotografia de família e sobre o poder que ela tem. Tem uma história que conto sempre para quem fotografo, sobre minha avó. Ela faleceu com demência, lembrava de poucos e também pouco sobre ela. Até entregar em suas mãos os álbuns de família. Um por um ela ia tentando descobrir quem era. Até forçar e lembrar que momento foi aquele, o dia, quem eram as pessoas e o que faziam naquela fotografia. Essa semana revisitei as minhas fotos de família, a caixa de sapatos que todo mundo tem (né?). Voltei a sentir o cheiro dos dias que minha mãe fotografava, a textura das flores da foto que eu mais gosto e lembrar de como ela me pedia pra fazer pose de “xícara” hahaha. E, no dia seguinte, fotografei em Olinda. Lugar turístico, lotado de gente. E todos fazendo o que? Selfies. Comecei a pensar na quantidade de memória aprisionada em celulares. Já pararam pra pensar? Quem aqui revela fotos do celular, coloca em albinho, como antigamente? Comenta aqui pra me dar um sopro de esperança haha no dia seguinte ao de Olinda, continuando a saga de rever meu trabalho como fotógrafa, recebo uma mensagem de uma cliente amiga que fotografo há muito tempo, contando que o filho dela desmamou sozinho (corrijam o meu termo rs)... mas graças a Deus, semanas antes havíamos registrado esse momento. Um momento tão dia a dia, né? Tão íntimo, tão deles... mas que diz tanto sobre a vida e a história deles - e também do momento que estamos vivendo (aí fui mais longe, pensei que há 31 anos - quando eu nasci - era quase que improvável foto de uma mãe amamentando). Eu sei que selfies fazem sentido no mundo de hoje. Mundo corrido, vidas cheias, né? Quem para para revelar fotos e fazer álbuns?! Acorda, Manu! 🙄 E... acorda, mundo. São nossas memórias, nossa história, o que vamos contar para os netos, sobrinhos, bisnetos, tetranetos... assim como minha avó fez comigo.